Por que ensinar seu filho a "raspar o prato" pode ser prejudicial?

Quem já não ouviu alguma mãe dizer ao filho: “Você só sai da mesa quando raspar o prato!”?

 

Isso é muito comum, principalmente, porque uma mãe vai aprendendo com outra a fazer dessa forma. Alguns pais até colocam os filhos de castigo, deixando-os na mesa até terminarem a refeição, mesmo depois de fria. Outros fazem diversas promessas, mesmo que isso seja à base de recompensas. Já aquela criança que come toda a comida e raspa o prato, é sempre elogiada.

 

Enfim, é uma infinidade de estratégias para atingir um objetivo claro: fazer a criança comer toda a comida, acreditando que assim crescerá forte e saudável.

 

Mas, será que o ato de "raspar o prato" é um hábito saudável a longo prazo!?

 

Neste vídeo, a especialista Elisabeth Wajnryt fala sobre os principais erros que prejudicam a alimentação infantil.

 

 

Para entendermos como isso funciona, precisamos estar atentos ao sinal de saciedade da criança. Muitas vezes, os pais estão mais preocupados em fazer a criança comer nos horários pré-determinados, do que prestar atenção na fome da criança.

 

O sinal de saciedade é a característica que mais regula o peso. O próprio corpo humano sinaliza quando está precisando repor energia. Respeitar o sinal de saciedade ajuda na prevenção da obesidade, pois comer mais do que o corpo pede, pode fazer um papel oposto do que os pais esperam.

 

É mais indicado diminuir a quantidade de comida no prato, para evitar jogar comida fora, do que obrigar a criança a comer mais do que o seu organismo pede.

 

Cada criança nasce com um metabolismo de fome e saciedade distinto, é um mecanismo que funciona perfeitamente. Mas se essas reações orgânicas forem ignoradas e a criança for incentivada, ou até forçada, a comer mais do que o seu corpo necessita, no futuro pode se tornar um adulto com dificuldade de regular sua ingestão alimentar, isso porque o mecanismo de saciedade terá sido alterado.

 

Mas também é importante estar atento aos doces ou “besteiras” no horário das refeições.

 

É responsabilidade dos pais fornecer um ambiente seguro e uma refeição saudável, entretanto, é responsabilidade da criança decidir quando e quanto comer.

 

Referências:

BIRCH, Leann Lipps, et al. “Clean up your plate”: effects of child feeding practices on the conditioning of meal size. Learning and motivation, 1987.
BIRCH, Leann L., et al. Confirmatory factor analysis of the Child Feeding Questionnaire: a measure of parental attitudes, beliefs and practices about child feeding and obesity proneness. Appetite, 2011.


Sobre a especialista:

 

Elisabeth Wajnryt

• Psicóloga - PUC/SP
• Psicanalista - Instituto Sedes Sapientiae de SP
• Mais de 30 anos de experiência clínica de consultório atuando em Compulsão Alimentar, Psicoterapia de Casais, Orientação de Pais e Mindfulness.
• Autora do livro “E Foram Magros e Felizes para Sempre…- As Portas de Saída da Compulsão de Comer”.
• Tradutora dos livros e introdutora no Brasil dos Cursos: “Como Falar para seu Filho Ouvir e Como Ouvir para seu Filho Falar”, “Irmãos Sem Rivalidade”, “Como Falar para seu Aluno Aprender”.

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Destaque

Como identificar que meu filho é dependente de tecnologia?

1/9
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Categorias
Siga
  • Facebook Basic Square
  • Instagram Social Icon
  • Twitter Basic Square
cursos online para pais