Por que é importante e como falar de morte com seu filho?

Em algum momento, seu filho irá se deparar com questões relacionadas a morte, seja de alguém próximo, um animal de estimação ou alguma notícia no jornal.

 

E aí, caberá a você esclarecer e dar sentido a essa vivência, que demandará bastante sensibilidade, mas também conhecimento de como seu filho processa essas emoções e informações.

 

 

Para passar por esses momentos, muitos pais inventam histórias para transformar a morte em poesia. Quem já não ouviu explicações como: “A vovó Maria virou uma estrelinha no céu”. O problema dessas explicações é que, dependendo da fase do desenvolvimento da criança e das suas características individuais, ela pode achar que o que você falou, aconteceu na realidade. Veja exemplos:

 

Se você diz: "Ana está feliz agora, porque ela está no céu".

A criança pode entender: "Como Ana pode realmente ser feliz, se todos aqui estão tão tristes?"

 

Se você diz: "Ana era tão boa que Deus a queria com ele"

A criança pode entender: "Se Deus quis levar Ana, ele vai me levar também? Devo ser bom para que eu possa estar com ela no céu, ou ruim, então eu posso ficar aqui com mamãe e papai? "

 

Então, como explicar a morte para as crianças? 

 

Não evite o assunto!

Não tenha medo de ler histórias sobre crianças cujos animais de estimação ou avós morrem.

 

Evite eufemismos.

Frases adultas comuns para a morte - "descansar em paz", "no sono eterno" - são confusas para uma criança pequena, então não diga que o vovô está "dormindo" ou "foi embora". A criança pode se preocupar que ir à cama à noite também significa que ela vai morrer, ou que se você sair, poderá não voltar.

 

Tome cuidado ao discutir Deus e o céu.

As explicações da morte e da vida após a morte, naturalmente, dependerão de suas próprias crenças religiosas. Se os conceitos de Deus e do céu entrarão em sua conversa, pense cuidadosamente sobre o que você vai dizer, uma vez que as palavras destinadas a confortar uma criança pequena podem realmente confundi-la.

 

Responda de forma breve e simples.

Responda as perguntas dos pequenos da forma mais próxima possível da realidade. Usar exemplos concretos e familiares pode ajudar. Por exemplo, quando as pessoas morrem não respiram, comem, conversam, pensam ou sentem mais; quando os cães morrem, eles não latem ou correm mais; as flores mortas não crescem nem florescem mais.

 

Não tente ser perfeito.

Se você está profundamente triste por uma morte recente, faça o seu melhor para guiar seu filho nos momentos difíceis, mas não espere a perfeição. Explique que os adultos também precisam chorar às vezes, e que você se sente triste porque sente falta. A criança é profundamente consciente das mudanças no seu humor, e ela ficará ainda mais preocupada se ela sentir que algo está errado, mas que você está tentando ocultá-lo.

 

É normal que seu filho, sem entender a movimentação que ocorre quando algum parente ou alguém conhecido morre, fique querendo explicações. Mesmo quando não houve a perda de alguém, falar sobre esse assunto é uma oportunidade para a colocação de uma base que ajudará seu filho a lidar quando perder alguém.

 

Uma criança pode imediatamente fazer mais perguntas, outras podem ficar em silêncio e querer retomar o assunto mais tarde.

 

As crianças às vezes se confundem com o que ouvem, por isso é importante que você verifique sua compreensão revisitando o assunto em momentos apropriados, perguntando o que ela entendeu, como ela se sente, e ajudando ela a processar o sentimento que estiver tendo, assim como entender os seus sentimento. Para isso, é importante dar os nomes correspondentes a cada emoção, tais como “isso é tristeza”, “solidão”, “angústia”...

 

À medida que o tempo passa e as crianças têm novas experiências, elas precisarão de mais explicações e compartilhamento de ideias e pensamentos, mas você terá construído os alicerces emocionais que irão acompanhá-la por toda a vida!

 

Referências

  • SLAUGHTER, Virginia. Young children's understanding of death. Australian psychologist, 2005, 40.3: 179-186.

  • KÜBLER-ROSS, Elisabeth. On children and death. Simon and Schuster, 2011.

 

 

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