O “cantinho do pensamento”: Será que funciona?

O “cantinho do pensamento” gera muitas dúvidas a respeito da sua eficácia. Será que ensina? Na maioria dos casos, a experiência dessa prática é, principalmente, o isolamento da criança. Mesmo quando apresentada de forma paciente e amorosa, essa atitude ensina que, quando os filhos cometerem um erro, ou quando tiverem dificuldades, serão forçados a perder o contato com outras pessoas, ou seja, entendem que neste momento de sofrimento emocional, precisam sofrer sozinhos.

 

No vídeo a seguir, a especialista em Disciplina Positiva, Bete Rodrigues, explica o que é o tempo positivo e a importância de ‘enxergar’ esse momento sob um olhar empático.

 

 

 

As crianças têm uma profunda necessidade de conexão. Pesquisas demonstram que, em momentos de angústia, precisamos estar perto e ser apaziguados pelas pessoas que cuidam de nós.

 

Quando as crianças estão sobrecarregadas emocionalmente, às vezes se comportam mal. A expressão de uma necessidade ou de um grande sentimento, pode resultar em um comportamento agressivo, desrespeitoso ou não cooperativo. O que é, simplesmente, a prova de que as crianças ainda não desenvolveram certas habilidades de auto regulação. O mau comportamento é, muitas vezes, um grito de ajuda para se acalmar e uma tentativa de conexão.

 

Quando a resposta dos pais é isolar, uma necessidade psicológica instintiva da criança não é atendida. De fato, a imagem cerebral mostra que a experiência da dor causada pela rejeição, parece muito semelhante à dor física em termos de atividade cerebral.

 

Além disso, o isolamento, geralmente, é ineficaz na realização dos objetivos da disciplina, ou seja, mudar o comportamento e desenvolver habilidades. Os pais podem pensar que o “cantinho do pensamento” ajuda as crianças a se acalmem e refletirem a respeito do seu comportamento. Mas, quando as crianças se concentram na sua terrível sorte de ter uma mãe ou um pai tão malvado e injusto, elas perdem a oportunidade de desenvolver habilidades de compreensão, empatia e resolução de problemas.

 

Algum tempo para se acalmar pode ser extremamente valioso para as crianças, ensinando-lhes a fazer uma pausa e a refletir sobre seu comportamento. Essa reflexão é criada em relacionamento, não isoladamente. E tudo isso fará com que os pais sejam muito mais eficazes e gratificantes em longo prazo.

 

Conteúdo Phitters publicado originalmente no blog da Leiturinha​

 

Referências:

  • NELSEN, Jane. Disciplina Positiva. Ed Manole, São Paulo, 2015.

  • Siegel, daniel; BRYSON, Tina Payne. Disciplina sem drama. Nversos, São Paulo, 2016


Sobre a especialista:

 Bete Rodrigues

• Formada em Letras (PUC- SP)
• Mestrado em Linguística Aplicada (LAEL- PUC/ SP)
• Palestrante, coach (formada pelo ICI reconhecido pelo ICF)
• Consultora em educação e professora na COGEAE- PUC/SP.
• Mais de 30 anos de experiência educacional, como professora, coordenadora e diretora pedagógica.
• Membro da Positive Discipline Association e certificada como Positive Discipline Trainer.
• Tradutora do livro Disciplina Positiva e Disciplina Positiva na Sala de Aula – Jane Nelsen.
• Mãe há mais de 20 anos.

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