Depressão pós-parto: Quais são as consequências para o bebê?

Edward Tronick, renomado pesquisador de Harvard, desenvolveu o paradigma “Still Face”, que se tornou referência no estudo do desenvolvimento humano, apego, depressão materna e outros comportamentos estressantes que afetam o desenvolvimento emocional e a saúde de bebês e crianças.

 

Em seu experimento, foi pedido às mães para deixar de responderem seus bebês, afim de entender que consequências traria aos mesmos. Veja:

 

 

Primeiro, a mãe e filho, brincam de forma reciproca. Depois, a mãe fica séria, com um rosto imóvel e sem expressão (still face), por dois minutos. Neste curto período de tempo, o bebê fica muito angustiado, tentando se reconectar a ela, fazendo de tudo para obter sua atenção, chamando, brincando e finalmente chorando.

 

Quando essas tentativas falham pelo fato da mãe não atender a esses chamados, o bebê desiste e vira o rosto e o corpo para longe de sua mãe, com uma expressão facial retraída e sem esperança. Pode chorar incontrolavelmente.

 

Após terminado os dois minutos e a mãe retomado seu rosto empático, voltando a responder e interagir com seu bebê, este se reconecta imediatamente com ela, ficando visivelmente aliviado.

 

Felizmente, no experimento, mãe e bebê são rapidamente reconectados. Mas, e quanto ao bebê que tem um cuidador que não interage por longo período, que esteja deprimido ou de outra forma emocionalmente indisponível?

 
Este experimento foi amplamente estudado, em bebês cuja mãe apresentava sintomas de depressão. Ele demostra o quanto estamos conectados emocionalmente com as pessoas que são importantes para nós, e o quanto a mãe organiza as emoções do filho.

 

No vídeo abaixo, a médica e obstetra Renata Lopes Ribeiro e a psicóloga Natasha Bazhuni, explicam como acontece a depressão pós-parto e como ela pode afetar o bebê.

 

 

A depressão pós-parto acomete aproximadamente 10% das parturientes, normalmente iniciando duas semanas após o nascimento do bebê. Portanto, fica o alerta para todos que estão ao redor da recém mamãe. É necessário apoiá-la e promover um ambiente acolhedor, para que, caso a depressão pós-parto aconteça, seja rapidamente identificada e tratada

 

Mas cuidado para não confundir depressão com o Baby Blues, que é uma tristeza pós-parto passageira e muito comum.

 

Referências:
 

COHN, Jeffrey F.; TRONICK, Edward Z. Three-month-old infants' reaction to simulated maternal depression. Child development, 1983, 185-193.

 

O’HIGGINS, Madeleine, et al. Mother-child bonding at 1 year; associations with symptoms of postnatal depression and bonding in the first few weeks. Archives of women's mental health, 2013, 16.5: 381-389.


Link experimento Still Face: https://www.youtube.com/watch?v=apzXGEbZht0


TSIVOS, Zoe-Lydia, et al. Interventions for postnatal depression assessing the mother–infant relationship and child developmental outcomes: a systematic review. International journal of women's health, 2015, 7: 429.


Sobre as especialistas:

 

 Renata Lopes

• Médica, graduada pela Faculdade de Medicina do ABC de SP;
• Especialista em Obstetrícia e Ginecologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP);
• Mestre em Ciências em Vitalidade Fetal, pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP);
• Membro da equipe de Medicina Fetal do Hospital São Luiz e Fleury;
• Médica assistente do Setor de Vitalidade Fetal do Hospital da USP.

 

 

 

 

 Natasha Bazhuni

• Mestre e Doutora em Psicologia Clínica pela USP;
• Especialista em Psicopatologia e Saúde Mental pela USP;
• Psicólogia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie;
• Psicóloga Clínica em consultório particular há mais de 15 anos;
• Coordenadora e professora de Cursos de Extensão, Graduação e Pós-graduação em Saúde mental, Psicopatologia, Psicanálise Infantil e Psicologia;
• Autora do Livro: Circunscrevendo o Campo diverso, divergente e diferente do Acompanhamento Terapêutico, 2010. Biblioteca 24h;
• Associada fundadora da Associação Brasileira de Pesquisa em Prevenção e Promoção da Saúde (BRAPEP);
• Mãe da Isabela e Manuela.

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Destaque

Como identificar que meu filho é dependente de tecnologia?

1/9
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Categorias
Siga
  • Facebook Basic Square
  • Instagram Social Icon
  • Twitter Basic Square
cursos online para pais