Como identificar que meu filho é dependente de tecnologia?

Você está vendo seus filhos passarem muito tempo em frente a da TV, tablet, celular, computador...  É uma briga para tirar eles de lá? Se preocupa com o bem estar deles?

 

Então, bem vindo ao time de pais da geração digital!

 

Temos buscado entender quando esse comportamento pode ser prejudicial e levar a uma possível dependência.

 

O que acontece é que às vezes, por falta de conhecimento, acabamos achando que tal comportamento é normal para a idade ou é própria desta nova ‘geração’, e podemos não perceber os primeiros sinais de dependência, que depois de instalado, fica mais difícil contornar.

 

Se você deseja atuar na prevenção, o principal a saber é que, não é o tempo que seu filho passa diante das telas o problema, pois há muitos Heavy users (usuários que ficam longas horas em frente das telas) que não são dependentes.

 

O que mais caracteriza a dependência, são os prejuízos causados pelo uso da tecnologia, tais como: piora no rendimento escolar, isolamento social ou conflitos familiares.

 

E aí você pode perguntar: mas como identifico esses prejuízos? Para nosso bem, nos últimos anos esse tema foi muito pesquisado, e chegou-se a uma lista de itens que ajudam os pais a observar melhor o comportamento dos filhos diante das telas.

 

E aqui vale a dica, de não olhar só o comportamento dos filhos, vamos olhar para nossas ações e do nosso cônjuge também, pois a tecnologia está aí para todos, e qualquer um pode ultrapassar os limites saudáveis.

 

Os principais sintomas da dependência da tecnologia são:

 

- Ele pensa constantemente no jogo/internet, sendo a atividade mais relevante da vida dele?

- Sofre de abstinência quando é impedido de acessar, ficando irritado, triste ou ansioso?

- Perde a noção do tempo, e sempre quer ficar mais em frente a tela?

- Mente em relação a quantidade ou tempo de acesso?

- Não tem interesse em hobbies e entretenimentos que antes gostava?

- Percebe o próprio excesso, mas não consegue parar sem intervenção externa?

- Sofre perdas em relacionamento, estudos ou entretenimentos?

 

Fique atento se seu filho se enquadra em pelo menos 5 destes itens, por um período de 12 meses!

 

Também é importante entender que as motivações para o uso intenso e problemático, diferem muito em cada indivíduo, e podem estar relacionadas a combinação de uma predisposição genética com determinados eventos do meio ambiente. Esses eventos, que podem ocorrer desde a gestação até a idade adulta, podem ser de origem psicológica (ex: perdas significativas, traumas, dificuldades relacionamento, bullying, etc.) ou não-psicológica (ex: doenças físicas).

 

Atualmente, temos muitos estudos sobre o percentual de usuários que se tornam dependentes, os resultados variam entre 3 a 30% de acordo com a metodologia aplicada.

 

Entre os principais estudos estabeleceu-se um consenso em que 5 a 10% da população de usuários de internet e games desenvolveram a dependência em algum momento de sua vida. Um fato interessante é que meninos têm mais problemas devido aos games, enquanto as meninas fazem uso mais intenso das redes sociais.

 

A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadense de Pediatria, recomendam que bebês na idade entre 0 a 2 anos não sejam expostos à tecnologia, crianças de 3-5 anos devem ter acesso restrito a uma hora por dia, e crianças de 6-18 anos devem ter acesso restrito a 2 horas por dia.

 

Sabemos que no dia a dia, nem sempre é fácil fazer este controle, então vai algumas dicas:

 

1. Estabeleça metas de tempo de exposição diária aos aparelhos.

2. Faça uma lista das tarefas cotidianas e cuide para que sejam cumpridas.

3. Crie oportunidades de convívio social fora das telas.

4. Pratique atividade física com seu filho

 

Bom, agora você já sabe ao que deve se atentar, e percebendo qualquer sinal de dependência, a intervenção é necessária!

 

A tecnologia faz maravilhas por nós, vamos mantê-la assim, usando com moderação e ensinando o equilíbrio aos nossos filhos!

 

Referências:

  • American Academy of Pediatrics, August 2005, Vol 116

  • American Academy of Pediatrics, 2001, Vol. 107, no 2 423-426

  • Desai Ra, Krishnan-Sarin S, Cavallo D, Potenza MN. Video-gaming among high school students: health correlates, gender diferences, and problematic gaming. Pedatrics. 2010; 126(6): 1414-24

  • Rev. Bras. Psicoter. 2014; 16(1):53-67 - Dependência de Jogos Eletrônicos em Crianças e Adolescentes

  • Rev. Bras. Psicoter. 2008; 30(2):156-67 – Dependência de Internet e de jogos eletrônicos: uma revisão.

 

Sobre a especialista:

 

Lícia Milena

  • Especialista em Medicina Legal e Terapia Cognitivo-Comportamental pelo Ambulatório de Ansiedade (AMBAN) do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP.

  • Especialista em Psiquiatria e Psiquiatria Forense pela Associação Brasileira de Psiquiatria.

  • Médica colaboradora do Instituto de Psiquiatria no HC-FMUSP.

  • Médica assistente da APAE.

  • Atendimento de crianças, adolescentes e adultos. Assistência técnica psiquiátrica em todas as áreas do direito.

  • Graduada em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) e em Filosofia pela Universidade São Judas Tadeu (USJT).

  • Professora da Medcel - curso preparatório de residência médica.

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