Birra em público: Por que elas acontecem e o que fazer?

Seu filho se joga no chão gritando e você não sabe onde "enfiar a cara"?

 

Essa é a conhecida "birra"! Mas antes de continuarmos usando a palavra "birra" para todas as reações negativas das crianças, devemos, primeiro, entender o que de fato está acontecendo! Existem dois cenários distintos, um fisiológico e outro estratégico.

 

No vídeo a seguir, a especialista e Dra. Natasha Bazhuni, responde a dúvida de uma mãe que não sabe como lidar com a birra em público e explica esses dois cenários.

 

A ‘birra’ fisiológica

A maioria das ‘birras’ até 3 anos de idade é fisiológica, acontecem porque a criança ainda não tem recursos suficientes para controlar o seu sistema nervoso, ou seja, não consegue ser flexível e administrar os próprios sentimentos. Essa criança que não consegue regular a própria emoção, precisa do apoio de seus pais, porque se sente sozinha e não compreendida.

 

Com 2 ou 3 anos, já tem mais autonomia, ela quer explorar o mundo, porém não entende ainda quando algo que deseja lhe é negado, e não sabe lidar com essa frustração. Ela está passando por um momento de aprendizado de emoções, ser punida não é a melhor estratégia.

 

Isso não quer dizer que não devemos estabelecer limites. Não podemos deixar, por exemplo, uma criança jogar produtos de um supermercado no chão. Entretanto, é preciso desmistificar essa ‘birra’, entendendo que diante de uma experiência desagradável, essa criança age com os recursos que tem, e que normalmente é um pedido de ajuda e não uma ‘afronta’ para os pais.

 

A birra estratégica

O ataque de birra estratégico acontece com crianças maiores. É quando agem propositalmente para atingir o objetivo desejado: ganhar o brinquedo, o doce, ficar mais tempo na casa do amigo etc. Nestes casos, é preciso dar um tempo para a criança se acalmar, para depois conversar sobre o que aconteceu.

É importante não ceder aos desejos, para não reforçar este comportamento. A criança maior já tem condições de entender seus atos e consequências, se os pais dão o que ela pediu após esse ataque de fúria, estarão ensinando que "esse" é o jeito de "pedir" o que deseja.

 

Seja birra fisiológica ou estratégica, procurar o porquê é uma atitude de empatia e compreensão com os filhos, e a comunicação pode ser a chave para isso.

Além do que, muitas vezes, podemos evitar com a prevenção! Isso significa ser proativo ao invés de reativo. Ser proativo é ficar atento aos sinais que os filhos dão antes da birra: “fechando a cara”, “resmungando”, “reclamando”. Os pais podem se perguntar: “Ele está com fome? Irritado? Com sono? Precisa de atenção?"

 

Em outras palavras, às vezes, o que é necessário é a premeditação e o planejamento!

 

 

 

Referências:

  • SIEGEL, Daniel; BRYSON, Tina Payne. Disciplina sem drama. Nversos, São Paulo, 2016.

  • NELSEN, Jane. Disciplina Positiva. Ed Manole, São Paulo, 2015.


Sobre a especialista:

 

 Natasha Bazhuni
• Mestre e Doutora em Psicologia Clínica pela USP;
• Especialista em Psicopatologia e Saúde Mental pela USP;
• Psicólogia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie;
• Psicóloga Clínica em consultório particular há mais de 15 anos;
• Coordenadora e professora de Cursos de Extensão, Graduação e Pós-graduação em Saúde mental, Psicopatologia, Psicanálise Infantil e Psicologia;
• Autora do Livro: Circunscrevendo o Campo diverso, divergente e diferente do Acompanhamento Terapêutico, 2010. Biblioteca 24h;
• Associada fundadora da Associação Brasileira de Pesquisa em Prevenção e Promoção da Saúde (BRAPEP);
• Mãe da Isabela e Manuela.

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